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Top sinais de que o sistema já deu o que tinha a dar

Homem em bata branca inspecciona máquina industrial com medidor e bloco de notas. Caixa de ferramentas ao lado.

Os sistemas de avac costumam falhar devagar, quase com educação: fazem mais barulho, gastam mais energia e ainda assim “vão dando”. O envelhecimento do sistema aparece primeiro nos detalhes do dia-a-dia - num escritório que nunca fica estável, numa loja onde as reclamações surgem sempre à mesma hora, num condomínio onde a conta da electricidade começa a parecer um erro. E quando se ignora tempo suficiente, a factura chega em forma de avarias, desconforto e paragens que custam mais do que a prevenção.

Já vi isto acontecer em edifícios onde ninguém queria “mexer no que funciona”. Só que não estava a funcionar: estava a aguentar. A máquina ainda liga, sim, mas o sistema já está a pedir para ser redesenhado, não remendado.

Quando o “ainda dá” começa a sair caro

O primeiro sinal raramente é uma paragem total. É a sensação de que a equipa de manutenção anda sempre a apagar fogos: hoje uma fuga de gás refrigerante, amanhã um disjuntor que dispara, depois um ventilador que vibra. A disponibilidade cai em micro-quebras, e o conforto vira lotaria.

O pior é o efeito dominó. Um chiller cansado puxa mais, força bombas e torres, e o controlo tenta compensar com tempos de funcionamento mais longos. O resultado é simples: mais desgaste para entregar menos.

Top sinais de que o sistema já deu o que tinha a dar

Aqui está o checklist que, na prática, costuma separar “precisa de afinação” de “está no fim do ciclo”.

1) Temperaturas instáveis e zonas “impossíveis”

Se há salas que ficam sempre quentes e outras sempre frias, apesar de ajustes repetidos, o problema pode já não ser só calibração. Pode ser capacidade insuficiente, distribuição descompensada, válvulas e actuadores no limite, ou unidades internas degradadas.

Quando a resposta padrão vira “isso é normal nesse canto”, é um sinal. O edifício não mudou; o sistema é que perdeu margem.

2) Humidade fora de controlo (mofo, cheiro a fechado, condensações)

Humidade alta persistente indica falhas de desumidificação, renovação de ar deficiente ou serpentinas sujas/degradadas. Em espaços comerciais e serviços, isto aparece como queixas de “ar pesado”, vidros embaciados e odores que regressam depois da limpeza.

É o tipo de desconforto que as pessoas notam antes de conseguirem explicar. E normalmente piora no pico de ocupação.

3) Avarias repetidas, sempre “noutra peça”

Troca-se um condensador, depois uma placa, depois um contactor, depois um motor. Cada intervenção resolve um sintoma, mas o padrão continua. Quando o histórico de avarias parece uma lista infinita de peças diferentes, o problema é o conjunto: desgaste generalizado e incompatibilidades acumuladas.

Há uma frase que aparece muito nestas alturas: “Agora foi azar.” Uma vez pode ser azar. Cinco vezes é tendência.

4) Consumo energético a subir sem razão clara

Se a factura sobe e a operação do edifício é semelhante (horários, ocupação, cargas), desconfie. Sistemas envelhecidos perdem eficiência: trocadores sujos, refrigerante fora de carga, ventiladores com rolamentos gastos, controlos a trabalhar “contra” o equipamento.

E há um detalhe revelador: o sistema começa a compensar com horas. Funciona mais tempo para entregar o mesmo.

5) Ruído, vibração e “sons novos” que já ninguém estranha

Vibrações em ventiladores, ruído em compressores, assobios em condutas, golpes de aríete em circuitos hidráulicos. No início incomoda; depois vira paisagem sonora. Só que ruído quase sempre é energia a ser desperdiçada e peças a caminhar para falha.

Se o conforto acústico piorou, é um aviso técnico disfarçado de irritação.

6) Falta de peças, equipamentos fora de linha, refrigerantes problemáticos

Quando a manutenção passa a depender de “equivalentes”, adaptações e prazos longos de fornecimento, o risco operacional sobe. O mesmo para equipamentos cujo fabricante já não suporta, ou sistemas com refrigerantes que encareceram, estão mais regulados ou exigem conversões pouco lineares.

A pergunta útil é: “Se avariar amanhã, quanto tempo fico parado?” A resposta costuma doer.

7) Controlo e automação que já não acompanham o edifício

Sondas descalibradas, horários manuais, setpoints alterados “para desenrascar”, alarmes ignorados porque disparam sempre. Um sistema pode estar mecanicamente aceitável e, ainda assim, “morto” do ponto de vista de controlo.

Quando a equipa deixa de confiar no BMS/termostatos e passa a operar por tentativa-e-erro, o sistema já perdeu o volante.

O que fazer esta semana (sem entrar já em obras)

Não precisa de decidir uma substituição total no mesmo dia em que percebe o problema. Mas precisa de criar clareza.

  • Puxe o histórico dos últimos 12–24 meses: avarias, intervenções, recargas de refrigerante, queixas de conforto e tempos de paragem.
  • Compare consumo vs. uso real: horários, ocupação e alterações no edifício. Procure desvios e picos repetidos.
  • Faça uma inspecção orientada: fugas, estado de serpentinas, filtros, correias, vibrações, isolamento, válvulas e actuadores.
  • Meça o “tempo para reparar”: disponibilidade de peças, acesso a técnicos certificados e risco de paragem prolongada.
  • Peça um plano com opções: manutenção correctiva vs. retrofit parcial vs. substituição faseada, com impacto em energia e conforto.

A diferença entre “remendar” e “decidir” é ter números, não palpites. E números simples, que se expliquem numa reunião de 15 minutos.

“Um sistema não ‘morre’ no dia em que pára. Morre no dia em que deixa de ser previsível.”

Sinal O que costuma indicar Risco principal
Avarias recorrentes Desgaste sistémico Paragens e custos imprevisíveis
Instabilidade térmica/humidade Capacidade/controlo degradados Queixas, saúde e produtividade
Consumo a subir Perda de eficiência Factura e maior desgaste

FAQ:

  • Qual é o sinal mais claro de envelhecimento do sistema? A repetição: queixas e avarias que regressam, mesmo após “arranjos”, e uma tendência de consumo crescente.
  • Vale a pena fazer retrofit em vez de trocar tudo? Muitas vezes sim, sobretudo em controlos, variadores, ventiladores e unidades terminais. Depende do estado do equipamento crítico (chillers/UTA/VRF) e da disponibilidade de peças.
  • Como justifico o investimento internamente? Com três métricas: custo anual de avarias/manutenção, impacto no consumo e risco de paragem (tempo estimado de indisponibilidade se falhar).
  • O conforto pode piorar mesmo com o sistema “a funcionar”? Pode. Eficiência e capacidade degradam com o tempo; o sistema liga, mas já não entrega estabilidade nem desumidificação como antes.
  • O que devo medir primeiro no edifício? Temperatura e humidade por zona, horários reais de funcionamento, consumo eléctrico por períodos e histórico de alarmes/avarias.

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