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Top sinais de que o gás refrigerante não é o problema

Homem a ajustar ar condicionado numa sala clara com sofá e mesa de café.

O ar condicionado pode deixar de arrefecer e a suspeita recai logo no gás refrigerante, mas um diagnóstico rápido evita recargas desnecessárias e contas repetidas. Este fluido é o “transportador” de calor no circuito de refrigeração - em splits, multisplits e bombas de calor - e só faz sentido mexer nele quando há sinais consistentes de fuga ou carga incorreta. A boa notícia é que, na maioria das avarias do dia-a-dia, o problema está noutro sítio e dá pistas claras.

Há um padrão que se repete: a máquina “funciona”, faz barulho, às vezes até sopra ar fresco por momentos, mas o conforto não chega. Antes de chamar alguém para “meter gás”, vale a pena olhar para os sinais abaixo - são aqueles que mais vezes apontam para manutenção, sensores, drenagem, ventilação ou eletrónica, e não para falta de refrigerante.

Porque é que “falta de gás” é a explicação mais fácil (e nem sempre a certa)

O gás refrigerante não desaparece “com o tempo” num sistema estanque. Se a carga estiver baixa, normalmente existe fuga, e isso deixa rasto: performance a cair de forma progressiva, gelo anormal, e medições fora do normal.

O problema é que muitos sintomas são parecidos entre causas diferentes. Um filtro sujo, uma turbina saturada de pó ou uma unidade exterior sem espaço para respirar podem imitar uma “falta de gás” com uma precisão irritante.

Um bom diagnóstico começa por excluir o básico: ar a circular, permutadores limpos, drenagem a funcionar e parâmetros coerentes no comando.

Top sinais de que o gás refrigerante não é o problema

1) O ar sai fraco, mesmo com a ventoinha no máximo

Se a unidade interior quase não “empurra” ar, o gargalo está no caudal, não no circuito do gás. O refrigerante pode estar perfeito e, ainda assim, o frio/calor não chega à divisão porque o ar não circula.

O que costuma estar por trás: - filtros carregados de pó ou gordura (cozinhas e open spaces castigam mais) - turbina/roda de ventilação suja - grelhas fechadas, móveis a bloquear a aspiração/descarga - modo “quiet/sleep” ou limitação automática de rotação

2) Cheiro a mofo ou “humidade” quando liga

Este sinal aponta para água parada e biofilme no permutador, não para falta de gás refrigerante. É manutenção e higiene: bandeja de condensados, drenagem e limpeza interna.

Quando a drenagem está semi-obstruída, a unidade pode até arrefecer, mas o ambiente fica pesado e o cheiro aparece nos primeiros minutos, sobretudo em dias húmidos.

3) Pingos de água dentro de casa (ou manchas na parede)

Água a pingar para o interior raramente é “problema de gás”. Normalmente é: - tubo de drenagem entupido, mal inclinado ou com sifão improvisado - bandeja rachada/desalinhada - isolamento do tubo mal feito (condensação “por fora”)

Atenção: gelo no permutador pode, sim, gerar água quando derrete. Mas antes de culpar o gás, verifique primeiro o caudal de ar (filtros/turbina) - é a causa mais comum de congelamento.

4) A unidade exterior liga e desliga em ciclos curtos

Ciclos muito curtos (arranca, pára, volta a arrancar) costumam estar ligados a controlo e proteção, não a carga de refrigerante. Pode ser sonda de temperatura a ler mal, placa eletrónica, alimentação elétrica instável ou até uma definição de temperatura demasiado agressiva para a carga térmica do espaço.

Se fosse falta de gás refrigerante, o mais típico é perder capacidade e trabalhar “mais tempo” para tentar compensar, não parar a cada poucos minutos sem razão aparente.

5) O comando mostra erros intermitentes e “reseta” sozinho

Quando o problema parece aleatório - um dia funciona, no outro bloqueia - a probabilidade aumenta de ser eletrónica, comunicação entre unidades, sensores ou energia. O gás refrigerante não causa, por si, um comando a reiniciar ou códigos que aparecem e desaparecem sem padrão.

Aqui, o diagnóstico passa por ler códigos, histórico de falhas e verificar conectores, cabos e placas.

6) Arrefece bem numa divisão pequena, mas falha nas maiores

Se o equipamento está subdimensionado, mal colocado ou com má distribuição de ar, o desconforto parece “falta de gás”, mas é limitação de capacidade útil. Isto nota-se especialmente em salas grandes com sol direto, pé-direito alto ou portas sempre abertas.

Pista prática: se fecha a porta e, ao fim de 20–30 minutos, o espaço melhora bastante, o circuito está a trabalhar; o problema é carga térmica, isolamento, sombras, ou dimensionamento.

7) O “frio” melhora quando limpa filtros - e piora passado pouco tempo

Este é dos sinais mais claros de que não é gás refrigerante. Quando a limpeza traz melhoria imediata, o circuito não estava “sem fluido”: estava estrangulado de ar.

Se volta a piorar depressa, há duas hipóteses frequentes: ambiente com muito pó (obras, animais, têxteis) ou permutador/turbina já com sujidade interna que não sai com limpeza básica.

8) A unidade exterior está num forno (e ninguém olha para ela)

Uma unidade exterior a levar sol direto o dia todo, encostada a uma parede, com grelha cheia de folhas ou instalada num canto sem ventilação, perde eficiência de forma dramática. Parece “falta de gás”, mas é incapacidade de rejeitar calor.

Antes de falar em recarga, vale confirmar: - espaço livre à volta (conforme manual) - permutador exterior limpo (sem “tapete” de pó) - ventoinha exterior a rodar bem, sem ruídos/folgas

Um mini-roteiro de diagnóstico antes de pedir “para carregar gás”

Sem ferramentas especiais, dá para excluir metade das causas em 10–15 minutos. O objetivo não é substituir um técnico, é evitar o pedido errado.

  1. Confirmar modo (frio/calor) e setpoint realista (ex.: 24–25 °C no verão, 20–21 °C no inverno).
  2. Limpar filtros e testar com portas/janelas fechadas por 20 minutos.
  3. Verificar se o ar sai forte e uniforme.
  4. Inspecionar drenagem: há água a sair no exterior quando está em frio?
  5. Olhar para a unidade exterior: grelha limpa, nada a bloquear, ventoinha a funcionar.

Se, após isto, continua fraco mas “estável”, o próximo passo é diagnóstico com medições (pressões, temperaturas, sobreaquecimento/subarrefecimento) - e aí sim faz sentido falar de gás refrigerante.

Quando faz sentido suspeitar mesmo do gás refrigerante

Há sinais que merecem atenção e pedem técnico com equipamento. Não são “certezas”, mas são os que mais se aproximam de uma fuga ou carga incorreta:

  • perda de performance progressiva ao longo de semanas/meses sem explicação
  • gelo persistente no permutador/tubagens com filtros limpos e bom caudal de ar
  • ruídos de “borbulhar” acompanhados de baixa capacidade (não apenas som momentâneo)
  • necessidade repetida de “carregar” a cada temporada (quase sempre indica fuga)

Erros comuns que saem caros

A recarga sem procurar fuga é o clássico. Resolve por dias ou semanas, volta a falhar, e o sistema vai ficando mais contaminado (humidade/impurezas), o que piora a fiabilidade.

Outro erro é confundir manutenção com avaria. Um ar condicionado com permutador interior sujo pode consumir mais, arrefecer menos e cheirar mal - e ainda assim ter o gás refrigerante impecável.

FAQ:

  • É normal ter de repor gás refrigerante todos os anos? Não. Em condições normais, o circuito é fechado. Recargas frequentes indicam fuga ou intervenção anterior mal executada.
  • Se o ar condicionado não arrefece, posso “meter mais gás” para compensar? Não é recomendado. Carga a mais também reduz desempenho e pode danificar o compressor. Só com diagnóstico e medições.
  • Filtros sujos podem mesmo “parecer falta de gás”? Sim. Menos caudal de ar reduz a troca de calor e pode causar congelamento do permutador, imitando sintomas de carga baixa.
  • A unidade exterior suja influencia muito? Influencia bastante. Se não consegue libertar calor, a máquina perde capacidade e aumenta consumo, mesmo com gás refrigerante correto.

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