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Top erros de manutenção feitos por conta própria

Homem conserta cano a vazar debaixo do lavatório com ferramentas e telemóvel ao lado, água espalhada no chão.

A maior parte das chatices com manutenção do ar condicionado começa de forma inocente: uma tarde quente, a unidade a pingar, um vídeo “faça você mesmo” e a vontade de poupar. Só que muitos erros de bricolage não falham logo ali - falham semanas depois, quando o ar deixa de arrefecer, a conta da luz sobe e o cheiro estranho aparece no corredor. É por isso que vale a pena reconhecer os deslizes mais comuns antes de pegar na chave de fendas.

Já vi o mesmo padrão repetir-se: alguém “limpa”, sente-se orgulhoso, e sem querer empurra sujidade para dentro do sistema, mexe no que não devia, ou ignora o que realmente estava a causar o problema. O ar condicionado não é só plástico e filtros; é drenagem, troca térmica, electricidade e pressão. E isso não perdoa atalhos.

Quando o “só vou dar uma limpeza” cria um problema maior

O erro clássico é confundir limpeza com manutenção. Limpar o que está à vista ajuda, mas há uma diferença enorme entre tirar pó da grelha e restaurar a capacidade de troca de calor. O ar pode sair “forte” e ainda assim estar a arrefecer mal - e isso engana.

Outro tropeço é a pressa. Uma intervenção feita com a unidade ligada, ou sem desligar no quadro, é daquelas decisões que só parecem aceitáveis até ao dia em que há um estalido, um cheiro a queimado, ou um disjuntor que começa a cair sem motivo aparente. A electricidade num ar condicionado tem pouca paciência para improvisos.

Os top erros de manutenção feitos por conta própria (e o que acontece a seguir)

Há erros que são quase rituais de verão. Não por falta de inteligência - por excesso de confiança e falta de contexto. Aqui vão os mais frequentes e o “efeito dominó” típico.

  • Lavar o filtro com água quente, detergente agressivo ou escova dura
    O filtro fica “branquinho”, mas deformado ou com a malha danificada. Resultado: pior caudal de ar, mais ruído, e o ventilador a trabalhar contra resistência.

  • Voltar a montar o filtro ainda húmido
    Parece inofensivo, mas cria humidade onde não devia. Resultado: cheiro a mofo, risco de fungos, e uma unidade que começa a “cheirar a velho” mesmo quando arrefece.

  • Pulverizar “sprays milagrosos” directamente na serpentina e plásticos
    Alguns produtos atacam plásticos, isolamentos e deixam resíduos pegajosos. Resultado: mais pó colado, drenagem suja, e a sensação de que “fica pior cada vez que limpo”.

  • Desentupir o dreno com ar comprimido sem cuidado
    Às vezes resolve por um dia. Outras vezes rebenta lodo para dentro da bandeja, desloca ligações ou espalha sujidade. Resultado: pingos no interior, manchas na parede e o clássico balde no chão.

  • Inclinar ou mexer na unidade interior para “ajustar a água”
    O nível e a fixação importam. Resultado: vibrações, ruídos novos e drenagem irregular - e ninguém percebe que o problema foi “só um jeitinho”.

  • Abrir painéis e apertar “parafusos soltos” ao acaso
    Em equipamentos, nem tudo o que parece solto está solto. Resultado: plásticos partidos, encaixes desalinhados e folgas que viram ruído constante.

  • Ignorar a unidade exterior (ou lavá-la como se fosse um passeio de alta pressão)
    A unidade exterior precisa de ar livre e aletas íntegras. Jacto de alta pressão dobra aletas e empurra sujidade para dentro. Resultado: menor eficiência, mais consumo e ciclos curtos.

  • “Completar gás” porque viu gelo na tubagem
    Gelo pode ser filtro sujo, falta de caudal, fuga, sensor, ou serpentinas sujas. Resultado: pressão errada, risco para o compressor, e uma factura maior quando finalmente se chama alguém.

Dois sinais de que está a entrar em território perigoso

Há um ponto em que deixa de ser bricolage e passa a ser risco. E o ar condicionado dá sinais, só que muita gente os trata como “mania do aparelho”.

Primeiro: gelo (na unidade interior, tubagens ou exterior). Gelo não é um bónus de “está mesmo a arrefecer”; é um aviso de que algo está fora do normal - caudal de ar, troca térmica ou pressão. Continuar a insistir é como conduzir com a luz do óleo acesa e música alta.

Segundo: água a pingar onde não devia (tecto, parede, frente da unidade). A drenagem é simples até deixar de ser: basta lodo, inclinação errada, bandeja suja ou isolamento degradado. E a água não discute - estraga.

O que pode fazer em segurança (sem se enganar a si próprio)

Não é “não mexa em nada”. É: mexa no que é realmente de utilizador e pare onde começa o sistema.

  • Desligue no comando e corte no disjuntor antes de abrir tampas.
  • Lave o filtro com água fria/morna, sem químicos agressivos, e seque bem à sombra.
  • Aspire suavemente as grelhas e limpe o pó acessível com pano húmido.
  • Na unidade exterior, retire folhas e obstruções à volta (sem jacto de alta pressão nas aletas).
  • Se houver cheiro persistente, gelo, ruídos novos ou fugas de água, trate isso como sinal para diagnóstico.

“A diferença entre poupar e pagar duas vezes é saber onde acaba a limpeza e começa a reparação.”

Um guia rápido para decidir: faço eu ou chamo um técnico?

A regra prática é simples: se envolve electricidade interna, refrigerante, desmontagem profunda ou drenagem complicada, já não é “manutenção caseira”. É onde os erros de bricolage custam caro porque o dano é silencioso - e acumula.

Situação Melhor opção Porquê
Filtro sujo e acessível Fazer em casa Baixo risco, alto impacto
Água a pingar no interior Técnico (se persistir) Pode ser drenagem/bandeja/isolamento
Gelo, pouco frio, disjuntor a cair Técnico Pode ser pressão, fuga ou falha eléctrica

FAQ:

  • Posso usar lixívia ou desinfectante forte para “matar o mofo”? Evite. Pode danificar plásticos e deixar vapores/resíduos. Use produtos adequados e, se o cheiro persistir, peça limpeza técnica da serpentina e bandeja.
  • Se eu limpar o filtro, resolve sempre o problema de pouco frio? Não. Ajuda muito, mas pouco frio também pode ser serpentinas sujas, falta de caudal por outras razões, fuga de refrigerante ou sensores.
  • É seguro usar uma máquina de pressão na unidade exterior? Não é recomendado. Pode dobrar aletas e empurrar sujidade para dentro. Prefira limpeza suave e remoção de obstruções.
  • O que significa água a pingar pela frente da unidade interior? Normalmente drenagem obstruída, bandeja suja, inclinação/fixação ou isolamento degradado. Se continuar após limpeza básica do filtro, precisa de avaliação.
  • De quanto em quanto tempo devo fazer manutenção? Filtros: com frequência (semanal a mensal, conforme uso). Limpeza técnica e verificação: tipicamente anual, ou mais se houver muito pó, obras, animais ou uso intenso.

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