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Top erros ao usar ar condicionado em casas antigas

Duas pessoas medem uma parede com uma fita métrica e anotam valores numa sala iluminada com janelas grandes.

A utilização do ar condicionado em edifícios antigos parece simples: ligar, escolher a temperatura e esperar que a casa “obedeça”. Só que casas com paredes grossas, caixilharias cansadas e instalações elétricas de outras décadas têm uma maneira própria de responder ao frio - e de cobrar a fatura (em conforto, humidade e avarias). O que resulta num apartamento recente pode sair caro num prédio antigo, sobretudo no pico do verão.

Já vi o mesmo filme repetir-se: noites mal dormidas porque a unidade não pára, salas com cheiro a mofo depois de dias “a refrescar”, e aquela sensação de que o ar está frio mas a casa continua pesada. O problema, muitas vezes, não é o aparelho. É o conjunto de pequenos erros que se somam.

Onde as casas antigas “reagem mal” ao ar condicionado

Antes de falar de potência e modelos, vale a pena olhar para o edifício como ele é. Em muitos edifícios antigos, a inércia térmica é grande: as paredes acumulam calor durante o dia e devolvem-no lentamente à noite. Se a ventilação é fraca e há infiltrações de ar pela caixilharia, o ar condicionado trabalha sem descanso para compensar uma casa que nunca fica realmente estável.

Além disso, há detalhes práticos que passam despercebidos: tomadas sem terra, circuitos subdimensionados, condutas inexistentes, varandas técnicas improvisadas. O ar condicionado até pode arrefecer, mas a casa pode não estar “preparada” para a forma como ele arrefece.

Top erros ao usar ar condicionado em casas antigas

1) Escolher a potência “a olho” (ou só pelos m²)

Em casas antigas, a carga térmica não se explica apenas pela área. Pé-direito alto, exposição solar, telhas/quartos sob cobertura, paredes que aquecem ao fim da tarde e janelas com folgas mudam tudo. Resultado: um equipamento subdimensionado vive no máximo (barulho, consumo, desgaste) e um sobredimensionado faz ciclos curtos (ar frio rápido, pouco desumidificar, desconforto).

O erro aqui é achar que “mais forte” é sempre melhor. O objetivo é estabilizar a temperatura e a humidade, não dar choques de frio.

2) Arrefecer com janelas “a respirar”

“É só uma frincha” é a frase que mata a eficiência. Em edifícios antigos, uma frincha costuma ser um corredor: entra ar quente e húmido, sai ar frio, e o aparelho faz de conta que está a vencer. Muitas vezes o desconforto que se sente não é falta de frio - é correntes de ar e variações constantes.

Se precisa mesmo de renovar o ar, faça-o em janelas abertas por 5–10 minutos e depois feche tudo. Ventilar é ótimo. Ventilar durante o arrefecimento é uma luta perdida.

3) Ignorar a humidade (e culpar o “ar pesado”)

Casas antigas tendem a ter humidade estrutural, paredes frias em zonas sombrias e pouca extração nas casas de banho/cozinhas. O ar condicionado remove humidade, sim, mas só se trabalhar tempo suficiente e com uma estratégia coerente. Se está sempre a ligar e desligar, ou se a unidade é grande demais e corta cedo, pode ficar com uma casa fria e húmida - o pior dos dois mundos.

Sinais típicos: cheiro a mofo, sensação de “cave”, roupa a secar eternamente, cantos a ganhar manchas mesmo no verão. Isto pede controlo de humidade e, por vezes, desumidificação dedicada ou melhor ventilação/exaustão.

4) Baixar para 18 ºC “para arrefecer mais depressa”

Num prédio antigo, essa agressividade raramente acelera o conforto real. O aparelho vai puxar mais, as superfícies vão ficar muito frias e, em divisões com pouca circulação, pode criar condensações pontuais (sobretudo junto a paredes exteriores frias). Além disso, a diferença grande entre interior e exterior aumenta o choque térmico e a sensação de garganta seca.

Uma regra que costuma funcionar melhor é descer gradualmente e apontar para uma temperatura estável (muitas vezes 24–26 ºC), com as ventoinhas bem orientadas e as portas internas geridas com intenção.

5) Direcionar o jato diretamente para pessoas (ou para a parede “mais quente”)

O jato direto dá alívio imediato e desconforto acumulado: rigidez, dores de cabeça, garganta. E apontar para a parede que “arde” ao fim da tarde nem sempre resolve; pode estar a arrefecer um bloco de alvenaria que vai devolver calor horas depois, enquanto a zona de estar continua irregular.

Melhor: orientar o fluxo para misturar o ar (para cima e ao longo do teto), e criar um percurso suave pela divisão. O conforto, em casas antigas, é muitas vezes uma questão de circulação, não de números no visor.

6) Instalar a unidade interior no sítio “onde cabe”

Em edifícios antigos, há tentação de evitar obras e meter a unidade onde dá: em cima da porta, num canto sem retorno de ar, ou demasiado perto do teto trabalhado. Isso prejudica a leitura do sensor e a distribuição do ar, e força o equipamento a compensar erros de posicionamento.

Dois detalhes que dão problemas clássicos: unidade interior a “chupar” ar quente de um corredor e a tentar arrefecer uma sala, ou instalada onde apanha sol direto e pensa que a casa está sempre mais quente do que está.

7) Desvalorizar a drenagem de condensados

O erro mais subestimado - e o mais caro quando corre mal. Em casas antigas, nem sempre há declives fáceis, nem pontos de descarga óbvios, e improvisos criam retorno de água, pingos na parede, manchas e bolor. Pior: uma drenagem mal feita pode parecer “ok” durante semanas e depois falhar num dia de humidade alta.

Aqui, a regra é simples: drenagem planeada, com queda correta e acesso para manutenção. O silêncio do sistema não é garantia; é só ausência de alarme.

8) Ligar tudo ao mesmo circuito antigo (sem avaliação elétrica)

Muitos edifícios antigos têm quadros elétricos atualizados “a meio” e circuitos que não foram pensados para cargas contínuas. Um ar condicionado a trabalhar horas não é como um ferro de engomar por 10 minutos. Disjuntores a disparar, tomadas quentes e cabos fatigados são sinais para parar e avaliar.

Se o prédio é antigo, a instalação deve ser tratada como parte do projeto, não como um pormenor. A segurança vem antes do conforto.

9) “Manutenção é só quando cheira mal”

Filtros sujos e permutadores carregados reduzem fluxo, aumentam consumo e pioram a qualidade do ar - e em casas antigas, onde já há poeiras e humidade, o efeito multiplica-se. Quando se nota, normalmente já passou tempo demais.

Um hábito simples: limpar filtros regularmente na época de uso e fazer uma manutenção completa periódica. Não é perfecionismo; é evitar que o ar condicionado passe a ser uma fábrica de desconforto.

Como acertar no essencial sem transformar a casa num estaleiro

Não precisa de refazer o edifício. Precisa de alinhar o básico para o ar condicionado trabalhar com a casa, não contra ela. Três “âncoras” costumam fazer mais diferença do que trocar de marca:

  • Reduzir entradas de ar (vedantes em janelas/portas, cortinas térmicas, fechar estores nas horas críticas).
  • Gerir a humidade (exaustão a funcionar, hábitos de ventilação curtos e eficientes, atenção a zonas frias).
  • Usar o aparelho para estabilidade (temperatura moderada, mais tempo contínuo, menos picos e “choques”).

“O conforto numa casa antiga não é vencer o calor à força. É tirar trabalho ao aparelho até ele parecer que está a sussurrar.”

Erro comum O que provoca Ajuste rápido
Potência mal escolhida Consumo alto, ciclos curtos, desconforto Dimensionamento técnico + foco na humidade
Ventilar com AC ligado Nunca estabiliza, correntes de ar Ventilar curto e fechar tudo
Temperatura demasiado baixa Secura, choque térmico, possíveis condensações 24–26 ºC e ajustes graduais

FAQ:

  • O ar condicionado “faz mal” em casas antigas? Não por si. Faz mal é usá-lo para compensar fugas de ar, humidade e má distribuição, porque isso aumenta desconforto e risco de bolor.
  • Qual é a melhor temperatura para dormir num prédio antigo? Em muitos casos 24–26 ºC, com fluxo indireto e portas bem geridas. O objetivo é estabilidade e desumidificação, não frio extremo.
  • Vale a pena investir primeiro em janelas/vedações? Muitas vezes sim. Reduzir infiltrações de ar melhora imediatamente eficiência, ruído e conforto, e pode permitir escolher um equipamento mais adequado.
  • Como sei se a humidade é o meu problema principal? Cheiros a mofo, manchas em cantos, sensação “pesada” apesar do frio e roupa que não seca são pistas fortes. Um higrómetro simples ajuda a confirmar.
  • Preciso mesmo de um técnico para dimensionar e instalar? Em edifícios antigos, quase sempre. A instalação (elétrica, drenagem, fixações) e o dimensionamento certo evitam avarias, pingos e consumo desnecessário.

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