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Pouca gente limpa esta parte do ar condicionado — e paga caro depois

Homem substitui filtro de ar condicionado na sala, com produtos de limpeza sobre a mesa.

A avaria raramente começa com um estrondo. Começa com um cheiro estranho, uma sala que demora a arrefecer e uma conta de luz que sobe sem motivo aparente. A limpeza do ar condicionado costuma ficar “para depois”, e os filtros até levam alguma atenção - mas há uma parte menos óbvia que quase ninguém limpa e que, quando falha, sai cara.

É o tipo de detalhe que só se nota quando o aparelho já está a trabalhar em esforço. E aí o prejuízo não é só conforto: é consumo, qualidade do ar e, muitas vezes, assistência técnica.

A peça que quase ninguém mexe (e que decide o desempenho)

Quando se fala em manutenção, a conversa fica pelos filtros: tira, passa por água, seca e volta a pôr. Isso ajuda, mas não resolve o essencial se o interior estiver carregado de pó e gordura.

A parte esquecida é o conjunto por onde o ar “nasce” frio: a serpentina (evaporador) e a turbina/ventoinha interna. É ali que a sujidade cria uma película que impede a troca de calor, reduz o caudal de ar e faz o aparelho trabalhar mais tempo para fazer o mesmo.

O resultado é previsível: menos frio (ou menos calor, no modo aquecimento), mais ruído, mais humidade no ambiente e um cheiro a mofo que aparece do nada. E, quando a água deixa de escoar bem, começam os pingos e as manchas na parede.

O momento em que percebe que já foi longe demais

Acontece num dia normal. Chega a casa, liga o split, e em vez daquele ar fresco limpo vem um bafo “pesado”. Sobe a velocidade da ventoinha, mas a divisão não reage como reagia. No comando está tudo certo, mas o corpo sente que há qualquer coisa errada.

Depois vem a pequena cascata de decisões: deixa ficar mais uma semana, compra um ambientador, abre a janela “para arejar”. Só que o problema está lá dentro, a ganhar espessura. E quanto mais espessa a sujidade, mais caro fica o caminho de volta: mais tempo de técnico, maior risco de entupimentos, mais desgaste do compressor.

Porque limpar só os filtros não chega

Os filtros são a rede de proteção. Retêm uma parte das partículas maiores, mas não impedem que pó fino, aerossóis de cozinha e humidade se depositem no evaporador e na turbina. Em casas com animais, cozinhas abertas ou zonas com obras/trânsito, isto acelera.

Há ainda outro detalhe: a bandeja de condensados e o tubo de drenagem. Quando ficam com lodo, criam o “cheiro a esgoto” típico e aumentam a probabilidade de fuga de água. A sujidade não é apenas estética; é biológica.

Sinais comuns de que a limpeza interna está em falta: - Cheiro a mofo ao ligar (sobretudo nos primeiros minutos) - Menor caudal de ar mesmo com a ventoinha no máximo - Gotejamento ou humidade à volta da unidade - Ruído diferente, como um “assobio” ou vibração - Alergias mais intensas em casa, sem outra explicação clara

O que pode fazer em casa - e o que não deve improvisar

Há uma parte segura para o utilizador e uma parte que é melhor não “forçar”. Abrir a tampa, retirar e lavar os filtros é básico e deve ser regular. Limpar o pó visível nas grelhas e passar um pano seco no exterior também ajuda.

O que costuma correr mal é tentar “lavar” o interior à força com água, sprays agressivos ou jatos improvisados. A unidade tem eletrónica, sensores e um motor ali ao lado; se molhar onde não deve, o barato vira assistência.

Um plano simples e realista: 1. Filtros: lavar e secar bem (semanal a mensal, conforme uso e pó). 2. Grelhas e tampa: pano húmido e detergente neutro, sem encharcar. 3. Modo “dry”/desumidificação (quando existe): usar ocasionalmente para reduzir humidade interna. 4. Limpeza profunda anual/bianual: técnico para evaporador, turbina e drenagem (mais frequente se cozinha muito, tem animais, ou usa diariamente).

A “conta escondida”: energia, saúde e reparações

Um evaporador sujo funciona como um casaco em cima do radiador: impede a transferência de calor. O aparelho compensa com mais tempo ligado e, muitas vezes, com o compressor a trabalhar mais do que precisa. Na prática, isso pode significar uma sensação de “está sempre ligado e nunca chega”.

Depois há o custo silencioso: odores persistentes, desconforto respiratório e pó em suspensão. Não é alarmismo; é mecânica e higiene. Ar a passar por superfícies húmidas e sujas tende a ganhar cheiro e a carregar partículas.

E quando a drenagem entope, a água não desaparece: vai para onde puder. Um simples entupimento pode virar pintura estragada, rodapés inchados e uma visita urgente do técnico em plena vaga de calor, quando tudo demora mais e custa mais.

Problema Causa provável O que costuma resolver
Cheiro a mofo ao ligar Evaporador/turbina e bandeja sujos Limpeza interna + desinfeção adequada
Pouco ar e pouca potência Película de pó no evaporador e filtros saturados Limpeza profunda + filtros regulares
Pingos de água Drenagem parcial/totalmente entupida Desentupimento e limpeza da bandeja

O calendário que evita o “pago caro depois”

A rotina que funciona não é heroica, é repetível. Se usa o ar condicionado todos os dias no verão (ou no inverno em aquecimento), marque duas datas: uma para filtros e outra para uma limpeza mais a sério.

  • Antes da época forte (maio/junho): limpeza de filtros + verificação de cheiros e drenagem.
  • A meio da época (julho/agosto): reforço dos filtros, sobretudo com pó/obras.
  • Depois da época (setembro/outubro): limpeza e secagem (usar ventilação alguns minutos) para não “fechar” a sujidade lá dentro.
  • 1 vez por ano (mínimo): técnico para evaporador, turbina e tubo de drenagem; 2 vezes se uso intenso ou contexto exigente.

A regra prática é simples: se só limpa os filtros, está a fazer metade do trabalho. A outra metade é a que separa um aparelho eficiente de um aparelho que parece ligado mas não entrega.

FAQ:

  • A limpeza do ar condicionado pode mesmo baixar a conta da luz? Pode, porque um evaporador e uma turbina sujos reduzem a troca de calor e o caudal de ar, fazendo o equipamento trabalhar mais tempo para atingir a mesma temperatura.
  • De quanto em quanto tempo devo limpar os filtros? Depende do uso e do pó, mas em uso regular é comum precisar de limpeza a cada 2–4 semanas; em casas com animais, pode ser semanal.
  • O cheiro a mofo resolve-se só com spray perfumado? Normalmente não. O cheiro costuma vir de sujidade húmida no evaporador/bandeja de condensados; perfumar só disfarça e pode piorar a sensação.
  • Posso limpar o interior com água em spray? Evite molhar a eletrónica e o motor. Para limpeza profunda (evaporador/turbina/drenagem), o mais seguro é chamar um técnico com produtos e proteção adequados.
  • Quando devo chamar assistência sem esperar? Se houver gotejamento, manchas de humidade, ruídos novos fortes, cheiro “a esgoto” persistente ou perda acentuada de desempenho mesmo com filtros limpos.

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