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Porque o ar condicionado pinga água dentro de casa

Homem verifica ar condicionado enquanto segura telemóvel em sala iluminada, com cortinas e plantas ao fundo.

Quando o ar condicionado começa a pingar água dentro de casa, a causa mais comum não é “excesso de frio”, mas problemas de drenagem. Este tipo de aparelho foi feito para retirar humidade do ar e expulsar essa água para o exterior; quando esse caminho falha, a água procura o sítio mais fácil - muitas vezes, a parede, o tecto falso ou o chão. Ignorar o sinal pode transformar um incómodo numa infiltração, manchas, cheiro a mofo e até avarias elétricas.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, há um motivo simples por trás do gotejamento e um conjunto de verificações rápidas ajuda a perceber se dá para resolver em casa ou se é melhor chamar assistência.

O que é “normal” e o que já é avaria

Um ar condicionado, sobretudo em modo frio, condensa água no evaporador (a unidade interior). Essa água cai para um tabuleiro e segue por um tubo de drenagem para o exterior ou para um ponto de esgoto. O sistema pode produzir bastante água em dias húmidos, por isso a drenagem tem de estar desimpedida e com inclinação correta.

O problema começa quando a água não consegue escoar com ritmo constante. Aí acumula, transborda ou é “puxada” para o interior por erros de instalação, sujidade ou congelamento.

As causas mais frequentes para pingar água dentro de casa

1) Tubo de drenagem entupido (o campeão dos casos)

Pó, lodo, fungos e pequenas partículas juntam-se no tubo com o tempo, sobretudo se o aparelho trabalha muitas horas e a manutenção é irregular. O escoamento fica lento, o tabuleiro enche e a água sai pelo lado mais próximo - geralmente a frente da unidade interior.

Sinais típicos: gotejamento constante, cheiro a humidade, e por vezes um “borbulhar” ou água a voltar para trás quando o aparelho desliga.

2) Falta de inclinação ou “barriga” no tubo

Se a mangueira de dreno ficou com uma curva a subir, uma zona esmagada ou uma “barriga” (ponto baixo onde a água fica presa), o escoamento perde continuidade. O resultado é semelhante ao entupimento: acumulação e transbordo.

Isto acontece muito após pequenas obras, troca de móveis, ou quando o tubo fica demasiado longo e mal apoiado.

3) Tabuleiro de condensados desalinhado ou fissurado

O tabuleiro pode sair ligeiramente do sítio com vibração, montagem deficiente, ou após intervenções. Se estiver desalinhado, a água não cai para a zona de escoamento; se estiver fissurado, pinga mesmo com o dreno livre.

É menos comum, mas tende a piorar de forma progressiva.

4) Filtros e serpentina sujos (a causa indireta)

Filtros sujos reduzem o fluxo de ar. Com pouco ar a passar, a serpentina arrefece em excesso e pode formar gelo. Quando o gelo derrete (ou quando muda de modo), surge água a mais, de uma vez só, e o sistema não dá vazão.

Além do gotejamento, nota-se ar fraco, ruído diferente e eficiência a cair.

5) Nível de gás refrigerante baixo ou problema de ventilação

Um nível baixo de refrigerante (por fuga) ou um ventilador com falha pode provocar congelamento do evaporador. O padrão costuma ser: primeiro “não arrefece como antes”, depois gelo, depois água a pingar quando descongela.

Aqui o risco é maior: além da água, pode haver dano no compressor e consumo a subir.

6) Vento, sifonagem e retorno de água pela extremidade exterior

Se a ponta do tubo está exposta a vento forte, submersa, encostada a sujidade, ou sem quebra de ar, pode criar-se um efeito de sifão/retorno. A água fica “presa” e volta para trás.

É comum em varandas com ralos entupidos, tubos a descarregar para recipientes, ou terminações mal feitas.

Diagnóstico rápido: o que verificar em 10 minutos

Antes de mexer, desligue o aparelho no comando e, se possível, no disjuntor. Tenha um pano e um recipiente à mão.

  • Observe onde pinga: pela frente da unidade, por um canto, ou pela parede junto à tubagem.
  • Abra a tampa e confirme se os filtros estão carregados de pó.
  • Escute: há som de água acumulada ou a “bater” lá dentro?
  • Vá ao exterior e veja a ponta do dreno: está a pingar quando o aparelho está ligado? Está esmagada, dobrada, submersa ou tapada?

Regra prática: se não pinga nada no exterior num dia húmido, mas pinga cá dentro, a drenagem está a falhar em algum ponto.

Como resolver os problemas mais comuns (sem complicar)

Limpar filtros (sempre vale a pena)

Lave os filtros com água morna (sem detergentes agressivos), deixe secar bem e volte a montar. Isto não “desentope” o dreno, mas reduz congelamento e melhora o caudal de ar.

Se a sujidade for antiga, considere limpeza técnica da serpentina: forçar escovas e sprays sem critério pode empurrar lixo para o tabuleiro e agravar a drenagem.

Desobstruir o tubo de drenagem com cuidado

Se tiver acesso à extremidade exterior, tente o método mais seguro: aspiração (com aspirador de líquidos) na ponta do dreno por 20–30 segundos. Muitas vezes puxa o lodo e liberta o escoamento.

Evite soprar com pressão elevada para dentro sem controlo: pode soltar sujidade para o tabuleiro e causar transbordo imediato.

Corrigir a inclinação e evitar “barrigas”

Verifique se o tubo faz um percurso sempre a descer, sem curvas que subam. Prenda com abraçadeiras simples e evite que fique esmagado atrás de móveis.

Se a instalação estiver embutida na parede e suspeitar de inclinação errada, o melhor é chamar técnico: abrir e “inventar” pode criar infiltrações escondidas.

Quando é melhor chamar assistência técnica

Há situações em que insistir em soluções caseiras só adia o problema - ou piora.

  • Água a pingar após formação de gelo visível na unidade interior.
  • O aparelho não arrefece (ou arrefece pouco) e pinga.
  • Manchas no tecto/parede que continuam mesmo com o aparelho desligado.
  • Cheiro intenso a mofo persistente, ou suspeita de tabuleiro fissurado.
  • Qualquer sinal de água perto de cabos, tomadas ou quadros elétricos.

Nesses casos, um técnico pode medir pressões, confirmar fugas, limpar circuito de drenagem com equipamento próprio e verificar o nivelamento da unidade.

Prevenção: pequenos hábitos que evitam o gotejamento

Uma rotina simples reduz drasticamente a probabilidade de problemas de drenagem e de gelo.

  • Limpe os filtros a cada 3–6 semanas em uso intenso.
  • Faça uma higienização profissional (serpentina + tabuleiro + dreno) pelo menos 1 vez por ano.
  • Garanta que a descarga exterior do dreno não fica tapada por folhas, pó, tinta ou água parada.
  • Se usar muito o modo “frio” em ambientes húmidos, faça ocasionalmente 15–20 minutos em modo “ventilação” para ajudar a secar o interior.

FAQ:

  • Porque é que o ar condicionado faz água? Isso é mau sinal? É normal formar água por condensação. O mau sinal é a água não conseguir sair pelo dreno e aparecer dentro de casa.
  • Se pingar só de vez em quando, posso ignorar? Não é aconselhável. Pequenos transbordos costumam evoluir para pingos constantes e podem causar manchas, mofo e danos no tecto falso.
  • Posso usar arame ou produtos químicos para desentupir o dreno? Evite. Pode perfurar o tubo, deslocar ligações e criar fugas escondidas. Prefira aspiração na ponta exterior ou assistência técnica.
  • Pingar pode significar falta de gás? Pode, quando há gelo no evaporador e depois descongela. Se também notar perda de desempenho, chame um técnico para diagnóstico de fuga e carga correta.
  • Quanto custa não tratar o problema cedo? Em geral, o barato sai caro: pintura e reparação de pladur/estuque, limpeza de bolores e, em casos graves, substituição de componentes por corrosão e humidade.

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