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Porque o ar condicionado não mantém a temperatura estável

Homem ajusta termóstato na parede enquanto uma ventoinha pequeno está numa mesa redonda numa sala iluminada.

Vê-se muito isto em casas, escritórios e lojas: o ar condicionado está ligado, mas a sala ora fica gelada, ora volta a aquecer, como se alguém andasse a mexer no comando. Muitas vezes, a origem não está na “potência” da máquina, mas em problemas no termóstato - e na forma como o sistema lê (mal) a temperatura real do espaço. É relevante porque esta instabilidade não é só desconforto: aumenta consumos, agrava humidades e encurta a vida do equipamento.

Numa tarde de verão, basta estar sentado mais perto da unidade interior para sentir um frio quase agressivo, enquanto no sofá do outro lado ainda se sua. Depois, de repente, o aparelho “pára”, o calor volta, e o ciclo repete-se. A sensação é de um sistema nervoso: reage demais, descansa demais, nunca acerta no meio.

Quando a temperatura “anda aos solavancos”

O ar condicionado não tenta “manter” a temperatura como um cobertor constante; ele liga, mede, decide, desliga - e volta a medir. Se o sensor estiver a ler um ponto errado (muito frio, muito quente, com correntes de ar, ao sol), o controlo vai oscilar. O resultado é o tal vai‑e‑vem que parece capricho, mas é feedback mal alimentado.

Há ainda um detalhe pouco intuitivo: a temperatura que interessa é a do ar onde as pessoas vivem, não a do ar que sai da grelha. Quando o sistema se guia por uma leitura local e enviesada, a casa vira um mapa de bolsos térmicos.

O que costuma estar por trás (e porque parece “aleatório”)

A maior parte dos casos encaixa num destes padrões, quase sempre combinados:

  • Sensor mal posicionado ou influenciado: termóstato/sonda apanha o ar direto da unidade, uma corrente de corredor, um raio de sol, ou está junto a uma fonte de calor (TV, frigorífico, forno).
  • Problemas no termóstato: calibração fora, contacto intermitente, pilhas fracas (em termóstatos sem fios), ou histerese mal ajustada (liga/desliga com margem demasiado curta).
  • Filtro sujo e fluxo de ar reduzido: o ar não circula, a leitura “não representa” a sala, e a máquina entra em esforço com cortes de proteção.
  • Unidade sobredimensionada: arrefece depressa demais perto do sensor, desliga cedo, mas não chega a estabilizar o volume do espaço (ciclos curtos).
  • Fugas de ar e carga térmica variável: portas a abrir, janelas com infiltrações, estores a meio, pessoas a entrar e sair - a sala muda mais rápido do que o controlo consegue “amortecer”.
  • Gás refrigerante fora do ideal (baixo ou excessivo): provoca rendimento irregular, tempo de resposta estranho e, por vezes, gelo na bateria.
  • Ventoinha/velocidade mal escolhida: ventilação muito baixa cria estratificação (teto quente, chão frio); muito alta pode enganar o sensor com ar direto.

O “aleatório” costuma ser apenas o ambiente a mudar - e o sistema a reagir sem margem suficiente para suavizar.

Três sinais de que o problema é medição (e não “falta de força”)

Se quer um diagnóstico rápido, observe o comportamento, não só o número no visor. Há pistas muito consistentes:

  1. O aparelho liga e desliga muitas vezes (ciclos curtos), sobretudo quando a divisão ainda não parece confortável.
  2. A temperatura varia muito consoante o lugar: perto da unidade está frio, longe está morno, e o termóstato “acha” que já chegou.
  3. O conforto melhora quando muda a velocidade da ventoinha: mais circulação reduz o vaivém, o que aponta para leitura local/estratificação.

Quando é falta de capacidade, tende a acontecer o contrário: a máquina trabalha quase sempre e “não chega lá”, em vez de chegar e sair disparada.

O ajuste que costuma resolver sem obras

Antes de chamar assistência, há pequenas correções que muitas vezes estabilizam o sistema:

  • Defina um alvo realista: em dias quentes, 24–26 °C costuma ser mais estável do que 20–21 °C, porque reduz arranques agressivos.
  • Use modo “Auto” com moderação: em alguns equipamentos, alternar entre frio e calor (ou mudar ventoinha) cria oscilações. Teste “Frio” + ventoinha fixa por um dia.
  • Aumente um nível a ventoinha: mais mistura do ar = leitura mais representativa do espaço.
  • Verifique filtros: um filtro limpo é estabilidade. Um filtro sujo é ruído no controlo.
  • Evite fontes de calor perto do sensor: candeeiros halogéneo, routers, TV, cortinas a abanar para cima do sensor.

Se usa comando como “termóstato” (muitos splits medem na unidade interior, não no comando), experimente também ajustar a direção das alhetas para não “banhar” a zona do sensor com ar direto.

“A casa não precisa de mais frio. Precisa de uma leitura mais honesta do que está a acontecer.”

Quando os problemas no termóstato são mesmo o centro da história

Há situações em que já não é afinação: é componente. Um termóstato que falha raramente avisa; apenas “decide mal” repetidamente.

Procure estes indícios: temperatura indicada que não bate certo com outro termómetro, comportamento diferente em dias semelhantes, ou variações bruscas sem mudança de condições (portas fechadas, mesma ocupação). Em sistemas com termóstato de parede, ligações soltas e sensores degradados dão exatamente este padrão: conforto em ondas.

Aqui vale a pena pedir verificação técnica, porque um sensor barato a mentir pode custar caro em energia e desgaste.

Um mapa simples para encontrar a causa em 10 minutos

  • Sente frio só perto da unidade? Provável estratificação, fluxo de ar insuficiente ou sensor influenciado.
  • O sistema desliga muito cedo? Unidade sobredimensionada, sensor a apanhar ar direto, ou termóstato descalibrado.
  • Não estabiliza mesmo com filtros limpos e ventoinha média? Investigue carga térmica (sol nas janelas, infiltrações) e estado do refrigerante.
  • Varia mais à noite/dia? Ganhos solares e isolamento. O problema pode ser a casa, não a máquina.
Sintoma Causa provável O que fazer já
Liga/desliga frequentemente Sensor influenciado ou sobredimensionamento Subir ventoinha, ajustar alhetas, alvo 24–26 °C
Diferentes “zonas” na sala Estratificação/fluxo fraco Ventoinha acima, portas internas abertas, limpar filtros
Temperatura no visor não bate certo Problemas no termóstato Comparar com termómetro, pedir calibração/verificação

FAQ:

  • O ar condicionado “oscila” porque é inverter? Nem por isso. Inverter tende a modular melhor, mas se o sensor estiver mal colocado, o controlo continua a reagir a leituras erradas.
  • Baixar muito a temperatura acelera o arrefecimento? Normalmente não. Só faz o sistema trabalhar mais tempo e pode aumentar ciclos agressivos; um alvo moderado estabiliza mais depressa.
  • Porque é que perto da unidade está sempre mais frio? Porque o ar sai dali. Sem circulação suficiente, a sala não mistura e o sensor pode “achar” que o objetivo já foi atingido.
  • Filtros sujos podem mesmo causar instabilidade? Sim. Reduzem o caudal, criam gelo/variações de troca térmica e tornam a leitura do ambiente menos fiável.
  • Quando devo chamar assistência? Se houver gelo, cheiros persistentes, ruído anormal, erro no painel, ou se após limpar filtros e ajustar ventilação a instabilidade continuar por vários dias.

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