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Porque alguns sistemas duram mais de 15 anos

Dois técnicos trabalham em equipamento HVAC no telhado, vestindo camisolas verdes e usando ferramentas.

A maior parte das avarias parece azar até abrirmos a tampa e vermos padrões. Nos sistemas avac, a longevidade não é um bónus romântico: é a diferença entre um edifício que “funciona” e um edifício que drena tempo, dinheiro e paciência em chamadas urgentes. Em casas, lojas, hotéis ou escritórios, estes sistemas trabalham em silêncio - até ao dia em que deixam de o fazer, geralmente na pior semana do ano.

Já vi equipamentos iguais, instalados com meses de diferença, terem destinos opostos. Um chega aos 18 anos com manutenção simples e previsível; o outro aos 9 já vive de remendos, ruído e consumos estranhos. Não é magia. É desenho, instalação e hábitos - e pequenos detalhes que se somam como juros.

O que realmente “envelhece” num sistema

Um sistema não morre de velhice; morre de fricção. Poeiras que viram manta térmica na bateria, condensados que não drenam bem e oxidam, vibrações que soltam ligações, água dura que fecha permutadores por dentro. E depois há o envelhecimento invisível: controlo mal afinado que obriga o equipamento a caçar setpoints, a ligar e desligar em ciclos curtos, a trabalhar mais do que devia para entregar o mesmo conforto.

Há também uma confusão comum: “a unidade ainda faz frio/calor” não significa “está saudável”. Muitas duram anos a compensar perdas com esforço extra. O utilizador sente “está ok”, mas o contador sente outra coisa: picos de arranque, correntes altas, consumos a subir, horas de funcionamento que não batem certo com a ocupação.

O segredo é menos heróico: dimensionamento e instalação

Quando um sistema é sobredimensionado, parece um luxo no dia da obra. Depois paga-se com ciclos curtos, humidade mal controlada e desgaste prematuro de compressores e contactores. Quando é subdimensionado, trabalha sempre no limite, com temperaturas de descarga mais altas e margens menores para dias extremos. Em ambos os casos, a máquina envelhece mais rápido do que o calendário.

Na instalação, os clássicos repetem-se: tubagens sem isolamento em pontos críticos, queda de pressão não verificada, sifões mal feitos, suporte antivibrático “só para cumprir”, ligações elétricas sem aperto torqueado. Um sistema pode ser bom; um sistema bem instalado é outro produto.

Se tiver de escolher um único indicador de futuro, eu escolho este: se a colocação em marcha foi tratada como uma fase real (com medições e registos) ou como um carimbo. A diferença vê-se aos 15 anos.

Três hábitos que esticam a vida para lá dos 15 anos

Não são “truques”. São rotinas simples que evitam que o sistema viva em modo de sobrevivência.

1) Manutenção preventiva com critério, não por calendário - Limpeza de filtros e baterias conforme carga real (poeiras, cozinha, tráfego, obras). - Verificação de drenagens e tabuleiros de condensados (cheiros e corrosão começam aqui). - Reaperto elétrico e inspeção de vibração (o “pequeno solto” vira falha grande).

2) Controlo bem afinado Setpoints coerentes, histerese adequada, horários alinhados com ocupação, e sensores bem colocados. Um sensor ao sol ou junto a uma porta pode mandar o sistema correr uma maratona diária para corrigir um erro de centímetros.

3) Água e ar tratados como “combustível” Em sistemas com circuito hidráulico, a qualidade da água é longevidade em estado líquido: filtração, tratamento anti-incrustação/anti-corrosão e purga de ar. No lado do ar, caudais equilibrados e condutas estanques evitam que o equipamento compense perdas com mais rotação, mais ruído e mais desgaste.

“A maioria das máquinas aguenta muita coisa. O que não aguenta é trabalhar todos os dias a corrigir o que foi mal decidido uma vez.”

O que os sistemas que duram têm em comum (e ninguém fotografa)

Têm espaço para respirar. Parece banal, mas é estrutural: unidades com acessos decentes para manutenção, afastamentos respeitados, grelhas que não foram tapadas “porque ficava melhor”, drenagens com queda, e uma sala técnica que não virou arrecadação.

Também têm registos. Não precisa de ser software caro. Um histórico básico de intervenções, pressões, temperaturas, consumos e alarmes recorrentes permite ver tendências antes de virar emergência. Sem isso, cada técnico chega a um filme a meio e perde-se tempo a adivinhar.

E, talvez o mais importante, têm dono - alguém que decide que conforto não é só “estar agradável hoje”, mas “estar previsível no próximo verão”.

Um guia curto para avaliar se o seu sistema vai chegar lá

Se quer uma leitura rápida do “estado de futuro”, use estes sinais:

  • Arranques frequentes e curtos (ciclagem): desgaste acelerado e controlo/dimensionamento a pedir revisão.
  • Diferenças grandes entre zonas: equilíbrio de caudais e distribuição mal afinados.
  • Consumo a subir sem mudança de uso: sujidade, fugas, sensores, ou eficiência em queda.
  • Corrosão, água onde não devia, cheiros: drenagem e condensados negligenciados.
  • Manutenção sempre reativa: o sistema está a mandar recados, só que em forma de avaria.
Ponto-chave O que fazer Porque aumenta a vida útil
Dimensionamento certo Confirmar cargas e perfis de uso Evita ciclos curtos e esforço contínuo
Instalação e comissionamento Medir, registar, ajustar Reduz “doença crónica” desde o dia 1
Operação e manutenção Rotinas + controlo afinado Menos stress, menos desgaste, menos surpresas

FAQ:

  • Porque é que alguns sistemas avac chegam aos 15–20 anos e outros não? Porque os que chegam foram bem dimensionados, bem instalados e mantidos para evitar fricções (sujidade, água, vibração e controlo mal afinado) que aceleram o desgaste.
  • Manutenção preventiva é mesmo necessária se “ainda funciona”? Sim. Muitos sistemas “funcionam” à custa de mais consumo e stress interno. A preventiva apanha tendências antes de virarem avarias caras.
  • O que estraga mais depressa: mau controlo ou falta de limpeza? Os dois. Falta de limpeza aumenta esforço; mau controlo aumenta ciclos e horas inúteis. Juntos, encurtam drasticamente a vida útil.
  • Vale a pena registar medições e consumos? Vale muito. Um histórico simples ajuda a detetar degradação gradual (eficiência, fugas, sensores) e a planear intervenções em vez de correr atrás de emergências.
  • Quando devo pensar em modernizar em vez de reparar? Quando as avarias se tornam recorrentes, o consumo foge ao normal, e peças críticas ficam caras ou difíceis. Muitas vezes, uma auditoria ao controlo e ao estado dos permutadores dá a resposta em dias, não em meses.

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