Há um momento típico: liga o aparelho no primeiro dia de calor e, de repente, o ar parece fraco, cheira a “fechado” ou faz mais barulho do que no ano passado. É aqui que a manutenção do ar condicionado entra - e onde muitos erros comuns começam, não por falta de cuidado, mas por se olhar para o sítio errado. A diferença entre conforto e dores de cabeça costuma estar num gesto simples, repetido vezes demais: “limpar” sem realmente manter.
O erro mais comum não é esquecer uma revisão anual. É confiar que passar um pano e “dar uma sacudidela” nos filtros resolve tudo, enquanto o interior do sistema vai acumulando sujidade, humidade e obstruções que o utilizador não vê - mas que o equipamento sente.
O erro que parece responsável, mas sai caro
Limpar os filtros é essencial, sim. O problema é quando isso vira o único passo, feito de forma irregular e sem inspeccionar o que vem a seguir: baterias (serpentinas), tabuleiro de condensados e dreno.
Na prática, o ar condicionado até pode continuar a funcionar, mas passa a trabalhar “em esforço”. Isso traduz-se em menos frio (ou menos calor), mais consumo, e um ambiente mais propício a odores e desconforto respiratório.
A fórmula é parecida com muitas coisas em casa: o que se vê dá sensação de controlo; o que não se vê é onde nasce a avaria.
Porque é que isto acontece (e porque piora no verão)
Um ar condicionado retira humidade do ar. Humidade + pó + tempo criam uma película perfeita para sujidade aderir às superfícies frias e húmidas. Se o dreno entope ou o tabuleiro fica com biofilme, o cheiro aparece e a água pode começar a pingar.
Além disso, quando as baterias ficam sujas, o ar passa com dificuldade. O ventilador compensa, a máquina alonga ciclos, e a conta eléctrica sobe sem cerimónia.
Sinais discretos de que não é “só o filtro”
- O aparelho demora muito mais a atingir a temperatura.
- Há cheiro a mofo nos primeiros minutos.
- O fluxo de ar parece irregular, mesmo com o filtro “limpo”.
- Pingos de água, marcas de humidade ou ruídos de borbulhar.
- A unidade exterior trabalha mais tempo e faz mais barulho.
O que fazer em vez disso: uma rotina curta, mas completa
A boa manutenção não precisa de ser um projecto de fim de semana. Precisa é de sequência: filtro, inspeção visual, drenagem e (quando necessário) limpeza técnica.
Em casa, com segurança, de forma realista
- Desligar no disjuntor (não é só no comando).
- Lavar os filtros com água morna e sabão neutro; secar bem antes de voltar a colocar.
- Verificar a saída de condensados (se há pingos, cheiros ou sinais de entupimento).
- Observar a bateria: se estiver escura/engordurada, o filtro não está a resolver sozinho.
- Limpar grelhas e zona envolvente, para reduzir pó que volta a entrar.
Se houver cheiro persistente, água a pingar ou desempenho claramente abaixo do normal, o passo certo é chamar assistência para limpeza e verificação do circuito de drenagem e estado das baterias - e não “perfumar” o problema com sprays.
Os erros comuns que vêm logo a seguir
A lista é curta e repetida, porque é mesmo isto que se vê no terreno.
- Usar sprays perfumados na unidade interior: mascara o odor e pode deixar resíduos.
- Fechar o espaço e ligar no máximo durante horas: cria ciclos longos e mais condensação; melhor é estabilizar e manter uma temperatura razoável.
- Ignorar a unidade exterior: folhas, pó e falta de espaço para ventilação reduzem a eficiência.
- Só chamar técnico quando avaria: muitas reparações começam como uma drenagem entupida e acabam em componentes forçados.
Um mini-plano que cabe numa estação
Pense nisto como um loop simples, não como uma “inspecção industrial”.
- De 3 em 3 semanas (uso intenso): filtros.
- No início do verão e do inverno: verificação de dreno, tabuleiro e estado geral.
- 1 vez por ano (ou quando há sinais): limpeza técnica e avaliação do desempenho.
Se a casa tem animais, obras recentes, ou muita poeira, encurte o intervalo. O ar condicionado não “estraga de repente”; vai perdendo fôlego até o utilizador se habituar ao pior.
O ganho real: conforto, consumo e ar mais limpo
Quando a manutenção do ar condicionado é completa - e não apenas cosmética - o aparelho trabalha menos para fazer o mesmo. Isso tende a significar menos ruído, menos ciclos longos, e um ar mais consistente, sem aquele cheiro inicial que dá logo má impressão.
É um daqueles cuidados pouco glamorosos que não aparece na fotografia, mas nota-se todos os dias. E, na maioria das casas, começa por parar de tratar o filtro como se fosse a manutenção inteira.
FAQ:
- Qual é a frequência ideal para limpar os filtros? Em uso diário no verão/inverno, a cada 2–4 semanas. Em uso leve, pode esticar para 6–8 semanas, mas ajuste se houver pó ou animais.
- O mau cheiro resolve-se com limpeza de filtros? Às vezes melhora, mas cheiro a mofo costuma indicar humidade acumulada no tabuleiro, dreno ou bateria suja. Se persistir, vale uma limpeza técnica.
- Pingos de água significam avaria grave? Nem sempre. Muitas vezes é dreno parcialmente entupido ou instalação com escoamento deficiente, mas deve ser verificado para evitar danos e bolores.
- Posso limpar as baterias em casa? Uma limpeza superficial pode ser possível, mas há risco de danificar aletas e componentes. Se a bateria estiver muito suja ou houver cheiro/água, é mais seguro chamar um profissional.
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