A instalação de ar condicionado em 2026 não é só escolher uma máquina “boa” e chamar um técnico. É uma decisão de conforto, consumo e ruído que vai viver na sua casa (ou loja, ou escritório) durante anos - e o planeamento é o que separa um verão tranquilo de um investimento que irrita todos os dias. Antes de furar paredes, vale a pena fazer duas ou três escolhas certas, daquelas que quase ninguém faz a tempo.
Há um padrão comum: a compra é feita por impulso na primeira onda de calor, o instalador faz o que dá com o espaço que encontra, e depois começa a lista de “se eu soubesse…”. Em 2026, com energia cara, regras mais apertadas e mais oferta no mercado, a melhor estratégia é simples: decidir cedo e decidir com critérios.
O que muda em 2026 (e porque isto importa antes de comprar)
O mercado está a consolidar tendências que já vinham de trás: mais foco em eficiência, mais atenção ao ruído, e mais exigência com gases refrigerantes e boas práticas de instalação. Isso não é conversa técnica - é o que determina se o seu ar condicionado vai ser barato de usar e fácil de manter, ou um aparelho “ok” que custa demasiado a funcionar.
Também muda a experiência de compra. Vai haver mais modelos com controlo inteligente, mais equipamentos “bons no papel” e mais diferenças escondidas na instalação: linhas frigoríficas mal dimensionadas, drenagens improvisadas, unidades exteriores em locais que vibram e incomodam. O produto conta, mas a obra conta tanto quanto.
A decisão nº 1: dimensionar pela casa, não pelo catálogo
A forma mais rápida de errar é escolher por metros quadrados e fechar o assunto. Dois quartos iguais no tamanho podem precisar de potências diferentes se um levar sol direto o dia todo e o outro for interior, ou se um tiver janelas antigas e o outro caixilharia eficiente.
O que tende a resultar é tratar isto como um mini diagnóstico. Não precisa de ser um relatório de engenharia, mas precisa de ser específico o suficiente para evitar subdimensionamento (desconforto) e sobredimensionamento (ciclos curtos, mais ruído, menos eficiência e pior controlo de humidade).
O que pedir/confirmar antes da compra: - orientação solar e áreas envidraçadas de cada divisão - nível de isolamento (paredes, tetos, caixas de estore) - ocupação típica (pessoas, equipamentos, cozinha aberta) - objetivo real: arrefecer só picos de calor ou manter conforto estável
Um aparelho “forte” não resolve tudo. Muitas vezes só resolve depressa… e mal.
A decisão nº 2: escolher o sistema certo (mono, multi, condutas) pensando no uso diário
A pergunta não é “qual é o melhor?”. É “qual é o melhor para a minha rotina e para a forma como uso a casa”.
- Mono-split (1 interior + 1 exterior): tende a ser mais simples, mais eficiente por divisão e mais fácil de diagnosticar. Faz sentido quando quer conforto em 1–2 espaços-chave.
- Multi-split (várias interiores + 1 exterior): ajuda quando não há espaço para várias unidades exteriores, mas exige projeto e instalação mais cuidadosos. Um mau planeamento aqui paga-se em desempenho.
- Condutas: excelente estética e distribuição, mas só compensa quando há espaço para falsos tetos e quando a casa “pede” climatização mais integrada.
Uma boa regra prática é decidir primeiro onde precisa mesmo de conforto contínuo (quartos à noite, sala ao fim do dia) e só depois ver o sistema que serve isso com menos compromissos.
A decisão nº 3: definir onde vai ficar a unidade exterior como se fosse um vizinho exigente
A unidade exterior raramente falha por ser “má”. Falha por estar mal colocada: pouco ar, muito sol, vibração numa estrutura leve, acesso impossível para manutenção, e um ruído que parece discreto… até ser 2h da manhã.
Antes de instalar, faça este exercício: pare na varanda, no pátio ou na fachada e imagine o som constante de uma ventoinha em dias seguidos. O ruído não é só decibéis; é posição, reflexão e hábito.
Checklist rápido do local: - boa ventilação (sem “caixas” apertadas) - sombra natural sempre que possível - base rígida e anti-vibração (sem improvisos) - acesso para limpeza e reparação - respeito por vizinhos/condomínio e distâncias recomendadas
A decisão nº 4: escolher o “conforto invisível”: ruído, humidade e controlo
Muita gente compra por classe energética e esquece o resto. Em casa, o que se sente é outra coisa: o fluxo de ar na cara, a secura na garganta, o arranque da máquina durante a noite, a diferença entre 24°C “agradáveis” e 24°C “pesados”.
O que vale a pena priorizar: - ruído da unidade interior (especialmente para quartos) - boa modulação/inverter (para manter temperatura sem picos) - desumidificação eficaz (conforto real em dias húmidos) - controlo simples (programas horários e app que funcione)
Se há um detalhe que melhora a vida, é este: evitar que o aparelho trabalhe aos solavancos. Conforto contínuo é menos barulho e menos consumo.
A decisão nº 5: tratar a instalação como parte do equipamento (e não como uma “taxa”)
A instalação é onde nascem a maioria dos problemas: fugas, cheiros, drenos a pingar, perdas de rendimento, vibrações, consumos acima do esperado. Em 2026, com mais concorrência e campanhas agressivas, vai continuar a existir a tentação do “pack barato”. É aqui que o planeamento volta a mandar.
Peça, por escrito, pontos básicos que parecem aborrecidos - mas são o que evita surpresas: - percurso e comprimento das tubagens, com acabamento previsto - solução de drenagem (onde descarrega e como evita retornos/cheiros) - teste de estanquidade e vácuo antes de libertar o gás - proteção elétrica e disjuntor adequado - marcação de furos, inclinações e passagens antes do dia da obra
E confirme quem fica responsável por quê: garantia do equipamento, garantia da instalação, e prazos de assistência.
Pequenas escolhas que evitam grandes arrependimentos
Há um momento em que tudo parece resolvido: o aparelho está na parede e “está a deitar frio”. É aí que as más decisões se escondem, porque o problema só aparece no pico do verão, ou depois de meses de uso.
Três hábitos simples ajudam: - instalar antes da época alta (mais tempo, menos pressa, melhor disponibilidade) - fazer uma limpeza/inspeção anual (filtros, bateria, dreno) - definir temperaturas realistas (conforto e consumo vivem juntos)
| Decisão | Se escolher bem | Se escolher à pressa |
|---|---|---|
| Dimensionamento | conforto estável e consumo controlado | ruído, ciclos curtos e contas altas |
| Local da unidade exterior | menos vibração e menos conflitos | barulho, sobreaquecimento e avarias |
| Qualidade da instalação | desempenho próximo do anunciado | cheiros, pingos, fugas e frustração |
FAQ:
- Qual é a melhor altura para avançar com a instalação? Fora das primeiras ondas de calor. Na prática, final do inverno e primavera costumam dar melhor disponibilidade de equipas e menos decisões apressadas.
- Multi-split compensa sempre que quero várias divisões? Nem sempre. Pode ser ótimo por espaço exterior, mas exige bom projeto de tubagens e uma instalação mais exigente para não perder eficiência.
- Posso escolher potência só pelos m²? É um ponto de partida, mas insuficiente. Sol direto, janelas, isolamento e uso da divisão mudam a necessidade real.
- O que devo exigir num orçamento de instalação? Percurso de tubagens, solução de drenagem, testes (vácuo/estanquidade), proteção elétrica e condições de garantia - tudo descrito de forma clara.
- Ar condicionado “seca” demasiado o ar? Pode acontecer se trabalhar com arranques/paragens e temperaturas muito baixas. Um bom dimensionamento e uma máquina que module bem reduzem esse efeito e melhoram o conforto.
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