O ar deixa de ficar “leve” e começa a sair morno, mesmo com o termóstato no mínimo. O compressor, a peça que dá força ao sistema para circular o refrigerante, é muitas vezes o culpado - e é aqui que uma boa reparação de ar condicionado poupa dinheiro e dores de cabeça. Há um sinal em particular que costuma aparecer antes da avaria total, e vale a pena reconhecê-lo a tempo.
Não é o tipo de coisa que se vê. É o tipo de coisa que se ouve, se sente e, quando se ignora, se paga.
O sinal que quase ninguém leva a sério: arranques e paragens curtas (short cycling)
O compressor foi feito para trabalhar em ciclos relativamente estáveis: liga, estabiliza, mantém a temperatura e desliga. Quando começa a falhar, um padrão comum é este: liga por poucos segundos ou minutos, desliga, volta a ligar, desliga outra vez. Como se estivesse sempre a “tentar” e nunca a conseguir.
À primeira parece só um capricho do equipamento, especialmente em dias muito quentes. Mas este comportamento é uma bandeira vermelha porque aumenta o desgaste, puxa mais pela instalação elétrica e normalmente vem acompanhado de ar insuficiente ou temperatura instável.
Se der por si a pensar “ele está sempre a ligar e desligar”, não está a imaginar.
Como reconhecer em casa (sem ferramentas)
Há pequenos indícios que, juntos, contam a história:
- Ouvem-se cliques repetidos (relé/contator a atuar) e o som do motor a tentar arrancar.
- O ar condicionado não chega a estabilizar: ora sopra fresco, ora perde força e fica morno.
- A divisão demora muito mais tempo a arrefecer do que antes, ou nunca chega ao ponto.
- A conta de eletricidade sobe sem mudança óbvia de hábitos.
- Em alguns casos, sente-se um “tranco” ao arrancar, como se o sistema estivesse sob esforço.
Uma nota importante: short cycling também pode ter outras causas (sonda, placa eletrónica, filtro entupido, falta de gás). Mas quando aparece de repente, ou piora semana após semana, o compressor entra rapidamente na lista de suspeitos.
Porque é que isto acontece: o compressor a trabalhar fora do “normal”
Quando o compressor está saudável, ele aguenta o arranque e entra em regime. Quando não está, pode estar a falhar precisamente na fase mais exigente: o início.
As causas mais comuns por trás deste padrão incluem:
- Condensador sujo ou ventilação fraca: a pressão sobe, o sistema protege-se e corta.
- Falta de refrigerante (fugas): o compressor não consegue trabalhar dentro de pressões adequadas e entra em proteção.
- Capacitor de arranque fraco: tenta arrancar, não ganha força e desliga.
- Sobreaquecimento por esforço prolongado ou por problemas de dissipação.
- Desgaste interno (bobinagem, válvulas internas, gripagem parcial): começa por “hesitar” e acaba por parar.
O detalhe que engana: por vezes o ar condicionado ainda “faz algum frio”. E é isso que dá vontade de adiar. Só que o custo de adiar costuma ser o compressor a morrer de vez - e aí a reparação passa de simples a pesada.
O que fazer nas próximas 24 horas (antes de chamar assistência)
Há duas coisas que pode confirmar com segurança, porque não exigem abrir o circuito nem mexer em eletrónica:
- Verifique o filtro e o fluxo de ar. Um filtro saturado pode provocar gelo e pressão errada, e isso desencadeia paragens. Limpe/ substitua e teste novamente.
- Veja a unidade exterior. Se estiver “entalada” em calor (grelhas obstruídas, folhas, pó, pouca folga), o sistema pode estar a cortar por proteção térmica. Limpe à volta e garanta ventilação.
Se, mesmo assim, continuar a ligar e desligar em ciclos curtos, não force. Evite estar horas a tentar “ver se passa”. Esse comportamento é precisamente o que mais castiga o compressor.
Quando a reparação de ar condicionado deve ser imediata (não opcional)
Há sinais que indicam risco de falha total ou até dano elétrico associado. Se notar um destes, desligue e peça assistência:
- O disjuntor dispara ou o quadro faz cortes quando o ar condicionado tenta arrancar.
- Cheiro a queimado, plástico quente ou “eletricidade” perto da unidade.
- Ruído metálico forte, zumbido prolongado sem arrancar, ou vibração anormal súbita.
- A unidade exterior pára e recomeça muitas vezes em poucos minutos, mesmo com temperatura moderada.
Um técnico vai conseguir distinguir rapidamente se é um problema “à volta” do compressor (capacitor, contactor, sensor, ventilação, carga de gás) ou se o compressor já está comprometido. Essa diferença muda tudo no orçamento.
Como decidir: vale a pena reparar ou substituir?
Em termos práticos, a decisão costuma depender de três fatores: idade do equipamento, estado geral e tipo de intervenção necessária. Trocar um capacitor ou corrigir uma fuga é uma coisa; substituir compressor é outra.
Um guia rápido para orientar a conversa com o técnico:
- Equipamento recente e bem estimado: compensa investir numa correção antes de haver dano permanente.
- Equipamento antigo ou com histórico de avarias: pode ser mais sensato ponderar substituição (sobretudo se o compressor já acusa desgaste interno).
- Avaria repetida + short cycling: normalmente não é “azar”; é um problema de base que está a voltar.
| Sinal | O que pode indicar | Próximo passo |
|---|---|---|
| Liga/desliga em ciclos curtos | Proteção por pressão/temperatura, falha de arranque, desgaste | Parar de forçar e chamar assistência |
| Ar morno e tempo de arrefecimento maior | Baixo desempenho, possível fuga ou compressor fraco | Diagnóstico com medições |
| Disjuntor dispara ao arrancar | Problema elétrico/arranque do compressor | Desligar e reparar com urgência |
FAQ:
- Qual é o sinal mais típico de que o compressor está a falhar? Arranques e paragens curtas repetidas (short cycling), muitas vezes com ar instável e aumento de consumo.
- Pode ser “só falta de gás” e não o compressor? Pode, e é comum. Mas a falta de gás leva o sistema a trabalhar fora do normal e pode acabar por danificar o compressor, por isso convém diagnosticar cedo.
- Devo continuar a usar o ar condicionado se ele liga e desliga constantemente? Não é aconselhável. Esse padrão aumenta o esforço do compressor e pode transformar uma reparação simples numa avaria cara.
- Limpar filtros resolve este problema? Às vezes melhora, sobretudo se havia restrição de ar. Se o short cycling continuar, há provavelmente uma causa técnica que exige assistência.
- A substituição do compressor é sempre necessária? Não. Muitas avarias “parecidas” são capacitor, contactor, sensores, ventilação ou carga de refrigerante. Só medições e inspeção confirmam.
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