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Este sinal indica que o termóstato está descalibrado

Homem ajusta termóstato na parede enquanto segura termómetro, numa cozinha moderna iluminada por luz natural.

Há dias em que o termóstato parece discutir connosco em silêncio. Ajusta-se o controlo de temperatura para “confortável”, mas a casa fica demasiado fria, ou demasiado quente, como se alguém estivesse a mexer no botão quando não estamos a ver. E isso importa porque, quando o termóstato está descalibrado, não é só o conforto que se perde: perde-se também dinheiro, e muitas vezes sem perceber de onde vem o desperdício.

O mais irritante é que o sinal costuma ser subtil e repetitivo, daqueles que se confundem com “o tempo está estranho” ou “a casa é húmida”. Só que, quando se junta tudo, há um padrão.

O sinal que quase sempre denuncia a descalibração

O sinal mais consistente é este: a temperatura medida “bate certo” no visor, mas o corpo (e a casa) contam outra história de forma persistente. Se o termóstato indica 20 °C e, ainda assim, sente frio em divisões onde antes se estava bem - ou, pelo contrário, a casa fica abafada quando teoricamente está no mesmo valor - há uma boa hipótese de o sensor estar a ler mal.

Não é uma diferença pontual de meia hora. É um “sempre assim” que aparece em dias normais, com rotinas normais: liga, desliga, e a sensação nunca coincide com o número. A consequência costuma ser um ciclo chato: aumenta-se 1 ou 2 graus para “compensar”, e de repente o sistema passa a funcionar mais tempo do que devia.

Há ainda um detalhe que reforça a suspeita: quando abre a janela para arejar e sente que “finalmente está aceitável”, mesmo com o termóstato a garantir que a temperatura já era confortável. Isso é, muitas vezes, a casa a corrigir um erro de leitura com ar exterior, o que é um péssimo “plano B”.

Porque acontece: o sensor não vive na mesma casa que você

O termóstato mede a temperatura onde está instalado, não onde você está a viver o dia. Se o sensor estiver a ser influenciado por um microclima - uma corrente de ar, sol directo, um aparelho que aquece, uma parede fria - a leitura pode ser tecnicamente “verdadeira” naquele ponto e completamente enganadora para o resto.

Alguns exemplos comuns, que parecem pormenores até começarem a custar: - Instalado perto de uma porta de entrada ou corredor com correntes de ar. - Apanhado pelo sol de uma janela a certas horas. - Encostado a uma parede exterior fria (ou mal isolada). - Próximo de fontes de calor (TV, router, lâmpadas, cozinha aberta). - Tapado por cortinados, móveis altos ou prateleiras (o ar não circula bem).

Quando isto acontece, o controlo de temperatura fica “nervoso”: liga tarde demais, desliga cedo demais, ou mantém a caldeira/AC a trabalhar para corrigir um erro que só existe no visor.

O mini-teste de 10 minutos que tira a dúvida

Não precisa de começar por mexer em definições escondidas. Primeiro, confirme se o número tem base.

  1. Pegue num termómetro simples de ambiente (ou um medidor de temperatura/humidade).
  2. Coloque-o a 1–1,5 m de altura, longe de janelas, portas e fontes de calor.
  3. Espere 10–15 minutos e compare com a leitura do termóstato.

Se a diferença for constante e relevante (por exemplo, 1,5–2 °C ou mais), já não é “sensação”. É desvio. E, na prática, 2 °C de erro explicam perfeitamente porque é que se anda sempre a compensar com o dedo.

Se tiver várias divisões problemáticas, repita o teste onde passa mais tempo. A parte importante é perceber se o termóstato está a mentir ou se está apenas mal colocado.

O que conta como “normal” e o que já é problema

Uma pequena diferença pode ser aceitável, porque cada dispositivo tem tolerâncias. O problema é quando isso começa a governar a sua rotina (aumentar sempre, desligar sempre, sentir sempre desconforto).

  • Até ~0,5 °C: comum em muitos aparelhos e contextos.
  • ~1 °C constante: atenção; pode ser instalação/localização ou início de desvio.
  • ≥1,5–2 °C: forte candidato a descalibração ou leitura influenciada pelo local.

O que fazer antes de chamar assistência (e o que não fazer)

Há um impulso clássico: “vou só subir mais um bocadinho”. Funciona no momento, mas cristaliza o erro e aumenta o consumo.

Em vez disso, faça o básico bem feito: - Verifique pilhas/bateria (quando aplicável). Leituras estranhas podem aparecer com pouca carga. - Limpe poeiras na zona de ventilação do termóstato. Poeira pode isolar e atrasar a leitura. - Desobstrua o aparelho: cortinas, móveis e prateleiras alteram a circulação do ar. - Confirme horários e modos (Eco/Conforto/Noite). Às vezes o “problema” é um perfil errado a activar sozinho.

Se o seu modelo permitir, procure a opção de offset/ajuste de temperatura. É uma correção simples (por exemplo, “-1,5 °C”) que alinha a leitura com a realidade, sem obrigar a viver de compensações.

O que evita dores de cabeça: não tente “calibrar” sem um valor de referência. Ajustar no escuro dá uma sensação de controlo, mas pode piorar o desvio.

Porque este erro aparece nas contas antes de aparecer no visor

Um termóstato descalibrado empurra o sistema para decisões erradas e repetidas. Se lê acima do real, a casa fica fria e você sobe o valor, aumentando tempos de funcionamento. Se lê abaixo do real, o sistema aquece demais e depois corta, criando picos e oscilações que também são ineficientes.

E as oscilações cansam: do corpo, da paciência e, em alguns casos, do próprio equipamento. Uma casa estável costuma ser mais barata do que uma casa a “correr atrás” da temperatura o dia todo.

Quando vale mesmo a pena chamar um técnico

Há um ponto em que deixar andar sai mais caro do que resolver. Procure ajuda se: - O desvio é grande e constante (≥2 °C) mesmo após teste e verificação do local. - O termóstato é antigo, falha leituras ou reinicia. - Há incompatibilidades com o sistema (caldeira, bomba de calor, válvulas) e o comportamento é errático. - A casa tem zonas muito diferentes e precisa de estratégia (sondas adicionais, válvulas termostáticas, zonamento).

Um bom diagnóstico, aqui, é metade do conforto. A outra metade é o controlo de temperatura voltar a ser previsível, que é o que um termóstato devia fazer desde o início.

FAQ:

  • O meu termóstato marca 20 °C e eu tenho frio. Isso significa sempre descalibração? Não sempre. Pode ser má localização, correntes de ar, falta de isolamento ou diferenças entre divisões. Mas se o desfasamento for constante e confirmado por um termómetro independente, a descalibração (ou leitura influenciada) é muito provável.
  • Um desvio de 1 °C faz assim tanta diferença? Faz, porque muda decisões de ligar/desligar e leva a compensações (“mais um grau”) que acumulam horas de funcionamento ao longo do mês.
  • Posso corrigir isto sem trocar o termóstato? Muitas vezes, sim: reposicionamento, limpeza, pilhas e ajuste de offset resolvem. Se o sensor estiver degradado ou o aparelho for instável, pode compensar substituir.
  • O que é melhor: subir a temperatura ou corrigir o offset? Corrigir o offset (quando disponível) é melhor, porque alinha o controlo de temperatura com a realidade e evita estar sempre a “enganar” o sistema com valores artificiais.

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