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Este detalhe decide se o ar condicionado dura 5 ou 15 anos

Pessoa regula ar condicionado com smartphone, enquanto este pinga água sobre uma mesa de madeira com objetos.

O aviso apareceu no sítio menos dramático possível: uma gota. Não foi um alarme, nem um cheiro a queimado - foi uma gota de condensação a cair do ar condicionado para cima do móvel da entrada. E foi aí que percebi como a manutenção preventiva costuma falhar: não por falta de dinheiro, mas por causa de um detalhe que ninguém vê quando “está tudo a funcionar”.

Durante anos, tratei o ar condicionado como trato o Wi‑Fi: só penso nele quando falha. Só que aqui a falha não é instantânea. É lenta, cara e quase sempre evitável.

Quando “ainda arrefece” vira uma desculpa cara

O ar saía frio. A casa parecia confortável. Então por que é que o consumo começou a subir e a unidade fazia um som mais grave ao arrancar, como se estivesse a puxar o mundo inteiro para dentro?

A resposta não estava no gás “a fugir” nem num modelo “fraco”. Estava no ponto mais aborrecido do sistema: a drenagem de condensados e a sujidade que vai com ela.

Se esse caminho entope, a humidade não sai. E quando a água não sai, tudo o resto sofre - ventilador, serpentina, eletrónica, cheiro, corrosão. É aqui que se decide se dura 5 ou 15 anos.

O detalhe que decide: drenagem desimpedida (e bandeja limpa)

Pense na unidade interior como um desumidificador com ventilador. Ao arrefecer, ela “espreme” água do ar, essa água cai para uma bandeja e segue por um tubo de dreno. Parece simples, até deixar de ser.

O que entope não é “água”. É uma mistura discreta: pó fino, biofilme (limo), fungos, gordura de cozinhas abertas, e até insetos. Vai criando uma película que segura mais sujidade, que segura mais água, e de repente o dreno vira um gargalo.

Os sinais costumam ser estes:

  • pingos ou manchas na parede
  • cheiro a mofo quando liga
  • ruído de borbulhar na unidade
  • humidade que não baixa como antes
  • desligamentos estranhos (alguns modelos param para evitar transbordo)

Se está a acontecer, o problema já não é “estético”. É mecânico.

Porque isto mata aparelhos “bons” antes do tempo

Um dreno entupido faz a unidade trabalhar em ambiente mais húmido e sujo. A serpentina fica pegajosa, perde eficiência e exige mais tempo de funcionamento para a mesma temperatura. Isso aquece componentes, força o ventilador e aumenta o risco de gelo em situações específicas (sim, gelo pode acontecer mesmo no verão, dependendo do fluxo de ar).

E depois há o lado invisível: água a tocar onde não devia. Pequenas infiltrações repetidas podem afetar placas eletrónicas, ligações e isolamento. Não é um colapso épico; é desgaste acumulado.

A manutenção preventiva aqui não é “uma limpeza geral quando houver tempo”. É um hábito simples: garantir que a água tem por onde sair e que a bandeja não está a criar vida própria.

“O ar condicionado raramente morre por um único dia mau. Morre por meses de drenagem lenta e sujidade húmida a trabalhar em silêncio”, explicou-me um técnico, enquanto apontava para um tubo que parecia limpo… por fora.

O que fazer (sem inventar, nem estragar)

Há duas camadas: o que pode vigiar em casa e o que deve ficar para assistência técnica.

Em casa: 10 minutos que evitam 10 chamadas

  • Verifique se há pingos, manchas ou cheiro ao ligar.
  • Confirme se o tubo de dreno está a descarregar (em algumas instalações dá para ver a saída exterior). Em dias húmidos, deve haver gotejamento.
  • Limpe ou lave os filtros conforme o uso (muito pó/animais: mais frequente). Filtro sujo reduz fluxo de ar e agrava condensação.
  • Não “empurre” arames ou objetos para dentro do dreno. Pode perfurar o tubo ou deslocar sujidade para um ponto pior.

Se tem acesso seguro à saída do dreno, um aspiração suave (com equipamento apropriado) pode ajudar, mas se não tiver experiência, é fácil fazer mais mal do que bem. Aqui, a regra é simples: observar, não improvisar.

Com técnico: a diferença entre limpar e manter

Peça explicitamente que incluam:

  1. limpeza da bandeja de condensados
  2. desobstrução e desinfeção do dreno (não só “passar água”)
  3. limpeza da serpentina e turbina/ventoinha (quando aplicável)
  4. verificação de isolamento e inclinação da drenagem (muito comum estar “quase” bem)

Muita gente paga “manutenção” e recebe apenas filtros lavados e uma passagem rápida de spray perfumado. O aparelho sai a cheirar a limpo - e continua com o dreno meio fechado.

Pequeno check-up: o que observar ao longo do ano

A parte boa deste detalhe é que dá sinais antes de partir. Faça um mini-ritual em duas fases: início da época e meio da época.

Momento Sinal a procurar O que sugere
Primeiras semanas de uso Cheiro a mofo ao ligar Bandeja/dreno com biofilme
Dias muito húmidos Sem descarga visível no dreno Entupimento ou má inclinação
A meio da época Mais tempo para arrefecer Serpentina suja / fluxo reduzido

Não é para viver em paranoia. É para deixar de ser apanhado de surpresa.

O que mudou quando tratei a drenagem como “parte do motor”

Depois de uma limpeza a sério (daquelas em que se vê a água suja a sair), o ar ficou mais “leve”. Não é um termo técnico, mas foi exatamente isso: menos cheiro, menos ruído, menos arranques longos. E o pingo desapareceu, que era o objetivo inicial.

O mais curioso é o efeito mental. Quando percebe que a vida útil do ar condicionado depende de uma mangueira fina e de uma bandeja escondida, começa a valorizar manutenção preventiva como valoriza trocar óleo no carro: não é glamour, é longevidade.

E sim, continua a haver variáveis - qualidade da instalação, dimensionamento, uso, ambiente. Mas este detalhe, quase sempre, é o separador entre “durou pouco, azar” e “durou muito, porque foi cuidado”.

FAQ:

  • Com que frequência devo fazer manutenção preventiva ao ar condicionado? Regra prática: pelo menos 1 vez por ano; em uso intensivo (verão inteiro, animais, muito pó), 2 vezes por ano ajuda a manter drenagem, serpentina e ventilação em bom estado.
  • O cheiro a mofo significa falta de gás? Normalmente não. Cheiro tende a apontar para humidade + biofilme na bandeja/dreno ou sujidade na turbina. Falta de gás costuma dar fraca capacidade de arrefecimento e ciclos estranhos, mas não “cheiro”.
  • Posso desentupir o dreno sozinho? Pode observar e confirmar descarga, mas desentupir sem ferramentas/experiência pode causar fugas ou empurrar a obstrução para dentro. Se há pingos ou transbordo, o mais seguro é chamar um técnico.
  • Limpar só os filtros já resolve? Ajuda muito no fluxo de ar, mas não substitui a limpeza da bandeja e do dreno. São problemas diferentes: um é “ar”, o outro é “água” - e a água é a que estraga silenciosamente.

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